segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Ao menos dois juiz-foranos foram detidos após invasão em Brasília

Pelo menos um casal de juiz-foranos foi detido em decorrência da invasão do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Planalto na tarde de domingo (8). A informação foi repassada à Tribuna por uma representante do Movimento Direita Minas JF, que foi acionada por familiares dos detidos que solicitaram assessoria jurídica. O casal, entretanto, não tem ligação institucional com o movimento, conforme a representante. Conforme pessoas ligadas a movimentos de direita de Juiz de Fora, ao menos um ônibus com cerca de 40 pessoas teria partido da cidade rumo a Brasília no final de semana.

Segundo a representante do Movimento Direita Minas JF, a excursão com destino à capital não teve a organização de um grupo organizado do município. Ela informou, ainda, que já havia pessoas acampadas em Brasília há alguns dias. Familiares do casal detido após a invasão, no entanto, a procuraram em busca de indicação de algum advogado que pudesse representar os detidos. Os juiz-foranos estariam presos na Polícia Legislativa do Senado.

Ainda conforme a fonte ouvida pela Tribuna, está prevista para esta segunda-feira (9) a audiência de custódia de um grupo de pessoas detidas pelas forças policiais em Brasília. A ideia, então, seria incluir os juiz-foranos nessa audiência para que seja trabalhada a possibilidade de responder às acusações em liberdade, visto que as pessoas seriam mais velhas e teria a preocupação adicional por conta da saúde do casal.

A reportagem também procurou representantes de outros dois movimentos de direita de Juiz de Fora ao longo da manhã. Um organizador do grupo União da Direita se manifestou contrariamente à depredação do patrimônio público e também afirmou que o movimento não organizou excursão para a capital. A outra organização procurada pela Tribuna não respondeu às tentativas de contato.

Centenas de pessoas presas

Os atos golpistas de domingo desencadearam em cerca de 300 pessoas detidas até o final da noite, conforme a Polícia Civil do Distrito Federal, por conta da invasão e depredação dos prédios do Congresso, do STF e do Senado. As prisões em flagrante aconteceram pelo crime de “tentar depor, por meio de ato de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído”, que tem pena entre 4 e 12 anos de reclusão.

Ainda na esteira da destruição em série, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o esvaziamento de acampamentos instalados nas imediações de quartéis do Exército em todo o país, além do afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). As ações para a desmobilização do QG do Exército em Brasília, na manhã desta segunda, geraram mais 1,2 mil pessoas detidas.

Acampamentos no Mariano Procópio amanhecem esvaziados

Porta do quartel em Juiz de Fora amanheceu esvaziada (Foto: Gabriel Silva)

Por volta das 9h desta segunda, a Tribuna esteve na sede da 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha do Exército Brasileiro, no Bairro Mariano Procópio, Zona Nordeste, onde atos com pedidos de caráter golpistas são realizados continuamente desde o final do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. A reportagem, entretanto, flagrou a portaria do quartel esvaziada, restando apenas uma barraca do outro lado da rua que estava, no momento da visita, com apenas três pessoas. Na ocasião, os indivíduos se negaram a responder sobre a intenção de permanecerem no local ao longo do dia.

Na tarde de domingo, a Tribuna havia flagrado a presença em maior número de manifestantes em frente ao quartel do Exército, o que foi esvaziado após o desenrolar dos atos em Brasília.

Questionada, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) afirmou que a responsabilidade de desmobilizar esse tipo de acampamento nas imediações do Exército é do Governo de Minas Gerais. A Polícia Militar reafirmou a incumbência do Estado, acrescentando que, “até o momento, não há ordem do Governo do Estado para efetivar a decisão”.

Governo ‘monitora movimentações

Em nota encaminhada à Tribuna, o Governo de Minas Gerais informou que a Diretoria de Inteligência da Polícia Militar “monitora todas as movimentações no estado”, além de afirmar que, em determinados “pontos sensíveis”, já há ocupação das forças policiais para a “manutenção da ordem pública”. O Estado explicou que, por sigilo estratégico, não divulga as operações policiais previamente.

O Governo de Minas ainda condenou os atos de vandalismo vistos no domingo, “que atentam contra a democracia brasileira”, e aventou a possibilidade de enviar “forças de segurança como reforço à intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal”.

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